quinta-feira, março 12, 2009

Fatima



















Ela é majestosa. Paciente como poucas pessoas o são. Mas gosta dos seus luxos. Do conforto. De coisas chiques. Gosta de dormir descansada. Com ar condicionado. Adormece muito facilmente. Mesmo ao volante se estiver entediada. Conhece todos os medicamentos. E de ler-lhe os rótulos. Conhece todas as curas para todos os males. Sabe o nome de todas as ruas do Rio. Gosta de ter convidados em casa. E da única neta que tem. A família vale-lhe tudo quanto baste. Adora dançar ainda que não o possa muito. Não pode subir escadas. E se soubesse que as pernas lhe iriam pregar uma partida na vida, teria dançado muito mais do que dançou. Teria corrido. Teria caminhado horas a fio. Só conduz carros de velocidades automáticas. Conhece tudo o que há de bonito para se ver na sua cidade. Adora sair à noite. Mas bem acompanhada. Adora a sua caipirinha.
Ama a praia na hora do almoço. Adora pairar na água do mar. Estender-se ao sol. Chegar creme ou bronzeador pelo corpo.
Não precisa de trabalhar e gosta de passear. De paisagens bonitas. De sítios interessantes. De coisas diferentes. Tem estilo. E ainda mais postura. Gosta de pentear o cabelo.
Gosta de gente jovem. Mentes sãs. Pessoas cultas com que possa falar. Adora a Calma com que as coisas devem ser feitas. Está sempre (bem) informada. Sabe programar as coisas. Detesta programas de índio. Sabe falar com sotaque português, mas minhoto. Repele o tédio, e a solidão.
Fez tudo o que pode para que umas férias minhas fossem as melhores de sempre.
Um obrigado por tudo. (Peço-lhe desculpa se falhei alguma característica).

Missing something


















Se tu soubesses o que penso de ti, largavas tudo agora mesmo.
O sentimento de te querer nunca me provocou tanto como agora. Olho-te sempre como se nunca te tivesse visto. Como se nunca te tivesse ouvido sussurrar-me no ouvido. Como se nunca te tivesse devorado. E sou dominado pelo desejo por ti. Movido por coisas que não compreendo, mas que sinto, vindas de ti. Entendo-te no sentido daquilo que quero entender. Mas só tu percebes o que eu quero sempre dizer. Só a ti os sonhas ganham a pertinência de serem contados.
És aquilo que eu gostava que sempre fosses. E só nos teus braços se sente a dimensão de ter um prazer que sempre veio de ti. As horas desvanecem-se à medida que dois corpos que nos pertencem se juntam bem perto. Na verdade tempo nunca foi honesto comigo. Os teus passos fazem eco à medida que te afastas de mim.
Tenho saudades de ti. De mim contigo. De loucuras que nos pertencem. De desejos que nos invadem. E de êxtases que não conseguem ser mensuráveis.
Tenho de saudade de beijos com sabor a RIO.