sexta-feira, abril 28, 2006

No fundo

Deitaram-me abaixo
Como quem corta uma árvore,
Inocente, quieta, e sem reacção.
Caí e fiquei assim, no chão,
Intemporáriamente imóvel.
O mundo ficou indiferente e
Tudo passou despercebido.
Por uns tempoa
Já não dormia,
Não acordava.
Vagueava apenas por aí,
Algures,
Em circulos que me levavam a lado nenhum,
Mas que não me deixavam quieto.
Ainda recordo momentos,
Passados deitado,
Ao ar livre
Sobre uma reles, dura e verde
Mesa de ping-pong
Vendo tão e somenteo mundo correr
E o Tempo devorar tudo.
Por algum Tempo, bloqueei-me
E dei algum Tempo perdido
Ao acaso.
O Tempo não me tocava:
Eu era intocável por ele,
Mas não achava grande piada a isso.
Tenho pena do Tempo,
E agora não o invejo:
Ele é sempre igual, sempre andando,
Deixando-se passar sempre para o mesmo lado,
Sempre controlado. O tempo:
Não é ele, não é algo, apenas Tempo...

1 Comentários:

Blogger Silvia Leao disse...

"O Tempo não me tocava:
Eu era intocável por ele,
Mas não achava grande piada a isso."

Gostei especialmente desta frase... Recorda-me as situações em que desejamos ver o trabalho do Tempo dar frutos rapidamente. Lembra-me todas aquelas coisas que o Tempo leva consigo e todos os momentos em que o Tempo parece preguiçoso e teima em não desempenhar as suas funções no que a nós diz respeito.

terça-feira, maio 09, 2006 2:00:00 da manhã  

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